(11) 2391-5161
comercial@gestao.ind.br
Integração Flexível

Como implementar um sistema de gestão integrada na sua empresa

Entenda como o sgi sistema de gestão integrada une qualidade, meio ambiente e segurança para reduzir riscos e melhorar o controle industrial.

GestãoIND 10 out 2026 20 min de leitura 13 visualizações
Compartilhar

Em uma fábrica, qualidade, meio ambiente e segurança não precisam disputar atenção nem operar em documentos isolados. Entenda como o SGI organiza essas frentes e transforma conformidade em controle operacional.

Resposta rápida

O SGI, Sistema de Gestão Integrada, reúne em uma estrutura única os processos de qualidade, meio ambiente e saúde e segurança ocupacional. Para uma indústria metalúrgica ou de manufatura, isso significa conectar políticas, riscos, procedimentos, registros, auditorias e indicadores, evitando controles duplicados. A implementação começa pelo diagnóstico da operação, passa por metas e plano de ação, envolve a capacitação das equipes e continua com auditorias e análise crítica. O resultado esperado é uma gestão mais coerente, com decisões baseadas em evidências e melhoria contínua, sem tratar as normas como iniciativas isoladas.

Resumo

  • SGI integra qualidade, meio ambiente e saúde e segurança em uma estrutura comum.
  • A integração reduz duplicidade documental e aproxima os requisitos da rotina fabril.
  • O projeto deve começar por diagnóstico, riscos, metas e responsabilidades claras.
  • Capacitação, indicadores e auditorias mantêm o sistema vivo depois da implantação.

O que é um sistema de gestão integrada (SGI)?

Um sistema de gestão integrada é uma estrutura única que combina diferentes sistemas de gestão, principalmente qualidade, meio ambiente e saúde e segurança ocupacional. Em vez de manter políticas, riscos, documentos e auditorias separados, a organização conecta esses elementos aos mesmos processos e à mesma rotina de decisão.

Em uma metalúrgica, uma alteração no processo de pintura pode afetar a conformidade do produto, a geração de resíduos, a exposição dos trabalhadores e o consumo de insumos. Um SGI permite analisar essas consequências em conjunto. Assim, a engenharia, a produção, a manutenção, a qualidade e a segurança deixam de trabalhar com visões que não conversam entre si.

A proposta não é apenas juntar pastas ou criar um manual mais extenso. O sistema precisa definir responsabilidades, controles, critérios de avaliação, registros e respostas para desvios. Quando uma não conformidade aparece, a empresa investiga a causa, avalia os impactos nas diferentes dimensões e acompanha a ação corretiva até verificar se ela funcionou.

A Fundação Vanzolini define o SGI como a unificação dos sistemas de gestão da qualidade, do meio ambiente e da saúde e segurança ocupacional em uma estrutura única, coesa e centralizada. Essa definição ajuda a separar o conceito de uma simples ferramenta digital. Um software pode apoiar o SGI, mas a integração depende de processos, pessoas e decisões alinhadas.

O Anexo SL, também chamado de estrutura de alto nível da ISO, facilita a integração das normas porque padroniza arquitetura, termos e definições dos sistemas de gestão. Para a indústria, isso favorece documentos comuns, como análise de contexto, avaliação de riscos, controle de informação documentada, auditoria e análise crítica da direção.

Na prática, o SGI conecta o que a empresa declara ao que realmente acontece na fábrica. A política deixa de ser uma frase afixada na parede e passa a orientar critérios de compra, manutenção, inspeção, contratação de terceiros, treinamento, liberação de produto e resposta a emergências. Essa ligação é o que dá utilidade gerencial ao sistema.

Quais são os principais benefícios do SGI?

Os principais benefícios são maior controle dos processos, redução de duplicidades, gestão preventiva de riscos, decisões mais consistentes e melhoria contínua. Em uma operação industrial, esses ganhos aparecem quando os requisitos das áreas passam a ser tratados no mesmo fluxo de trabalho.

O primeiro benefício é a visão sistêmica. A direção consegue enxergar como uma decisão de produção influencia custo, qualidade, resíduos, consumo de energia, exposição ocupacional e prazo. Essa visão reduz o risco de otimizar uma área enquanto cria um problema em outra. Em uma operação com usinagem, por exemplo, uma mudança de fornecedor deve ser avaliada também pelo impacto na especificação, nos resíduos gerados e nas condições de recebimento e manuseio.

A centralização também reduz retrabalho documental. Um procedimento de controle de documentos, uma matriz de responsabilidades, um calendário de auditorias ou um fluxo de ação corretiva pode atender a diferentes requisitos sem gerar versões paralelas. Isso facilita o treinamento e diminui a chance de um setor trabalhar com uma instrução desatualizada.

A Fundação Vanzolini aponta eficiência operacional, consistência na tomada de decisões, redução de custos, melhora da imagem corporativa e uma cultura organizacional mais robusta como benefícios da abordagem integrada. Para a indústria, o valor está em transformar esses efeitos em práticas observáveis: menos repetição de controles, respostas mais rápidas a desvios e maior disciplina na execução.

Outro ganho é a gestão preventiva de riscos. Ao mapear perigos, aspectos ambientais e riscos de qualidade dentro dos processos, a empresa consegue priorizar ações antes que ocorram acidentes, multas, devoluções ou interrupções. A integração também ajuda a evidenciar atendimento a requisitos legais e normativos, o que fortalece a confiança de clientes industriais e partes interessadas.

O SGI favorece ainda uma linguagem comum. Produção não precisa tratar qualidade como uma cobrança externa, enquanto segurança e meio ambiente ficam restritos a especialistas. Todos passam a entender objetivos, controles e consequências. A GestãoIND recomenda que essa conexão seja levada ao fluxo real da fábrica, relacionando requisitos de gestão a ordens de produção, manutenção, estoque, compras e registros do chão de fábrica.

O benefício não nasce da certificação isoladamente. Ele aparece quando o sistema é usado para decidir, priorizar recursos, corrigir causas e acompanhar resultados. Por isso, um SGI bem conduzido é uma forma de governança operacional, não apenas um conjunto de documentos para auditoria.

Quais são os 3 pilares do SGI?

Os três pilares mais adotados são qualidade, meio ambiente e saúde e segurança ocupacional. Eles correspondem, respectivamente, à ISO 9001, à ISO 14001 e à ISO 45001, que podem ser implementadas separadamente ou combinadas em um SGI.

Qualidade (ISO 9001)

O pilar da qualidade organiza a capacidade de entregar produtos e processos conforme requisitos definidos. Em uma metalúrgica, isso envolve entender especificações do cliente, controlar documentos técnicos, qualificar fornecedores, acompanhar inspeções, tratar não conformidades e preservar a rastreabilidade de materiais e lotes.

A ISO 9001 também estimula uma abordagem baseada em processos e riscos. O foco não deve ficar apenas na inspeção final. É mais eficiente controlar as condições que influenciam o resultado, como parâmetros de máquina, competência do operador, manutenção, medição, identificação de materiais e aprovação de alterações. Quando o desvio é encontrado na origem, o custo da correção tende a ser menor.

Dentro do SGI, a qualidade compartilha instrumentos com os demais pilares. Uma auditoria pode avaliar ao mesmo tempo o cumprimento do procedimento, o controle de resíduos e as condições de segurança. Uma ação corretiva pode atacar uma causa comum, como treinamento insuficiente, cadastro inadequado ou manutenção sem padrão.

Meio Ambiente (ISO 14001)

O pilar ambiental trata os aspectos e impactos relacionados às atividades, produtos e serviços da organização. Na manufatura, a análise pode incluir consumo de matérias-primas, energia e água, geração de aparas, emissões, efluentes, armazenamento de produtos químicos e destinação de resíduos.

A ISO 14001 orienta a identificação dos aspectos ambientais relevantes, o atendimento a obrigações aplicáveis, a definição de controles operacionais e a preparação para emergências. O valor do SGI está em colocar esses controles dentro do processo produtivo. A compra de um insumo, a manutenção de um equipamento e a contratação de um serviço externo devem considerar os impactos que podem gerar.

A gestão ambiental integrada também apoia decisões econômicas. Reduzir perdas de material pode diminuir o volume de resíduos e, ao mesmo tempo, melhorar o rendimento da operação. Controlar vazamentos protege o ambiente, evita paradas e reduz desperdícios. O sistema deve medir essas relações sem transformar o pilar ambiental em uma atividade desconectada da fábrica.

Saúde e Segurança Ocupacional (ISO 45001)

O pilar de saúde e segurança ocupacional busca controlar perigos e reduzir riscos para trabalhadores e outras pessoas afetadas pela operação. Em ambientes industriais, isso exige olhar para máquinas, movimentação de cargas, trabalho a quente, energia perigosa, produtos químicos, ruído, ergonomia, circulação e atividades de empresas contratadas.

A ISO 45001 reforça a participação dos trabalhadores, a identificação de perigos, a avaliação de riscos, a preparação para emergências e a melhoria do desempenho. Procedimentos só são efetivos quando podem ser executados nas condições reais do posto. Por isso, a conversa com operadores, líderes e manutenção precisa fazer parte da análise.

Os três pilares se reforçam. Um processo instável pode gerar retrabalho e aumentar exposição a riscos. Uma manutenção improvisada pode provocar defeito, vazamento e acidente. Uma alteração de matéria-prima pode afetar produto, resíduo e segurança. O SGI cria o espaço para avaliar essas conexões antes de aprovar mudanças.

A Fundação Vanzolini destaca que a estrutura de alto nível da ISO facilita a integração das normas. Isso não elimina as particularidades de cada requisito, mas permite usar uma arquitetura comum para política, planejamento, suporte, operação, avaliação e melhoria.

Como implementar um sistema de gestão integrada?

A implementação começa com diagnóstico e planejamento, passa por um plano de ação priorizado, envolve capacitação e engajamento e termina com monitoramento contínuo. O caminho mais seguro é integrar o SGI aos processos existentes, em vez de criar uma camada paralela de burocracia.

Planejamento e diagnóstico inicial

O diagnóstico deve retratar como a empresa trabalha de fato. A equipe precisa levantar processos, requisitos de clientes, obrigações legais, riscos, controles atuais, documentos, indicadores, registros e responsabilidades. Entrevistas com produção, qualidade, manutenção, compras, logística, recursos humanos e direção revelam diferenças entre o procedimento escrito e a rotina praticada.

Também é importante identificar pontos de integração. Um mesmo processo pode conter critérios de qualidade, controles ambientais e medidas de segurança. O mapeamento deve mostrar entradas, atividades, saídas, responsáveis, recursos e evidências. Em uma fábrica, vale acompanhar o fluxo desde o recebimento da matéria-prima até a expedição, observando onde há inspeções, liberações, movimentações, resíduos e exposição ocupacional.

O primeiro passo recomendado é estabelecer metas claras e mensuráveis para a integração. Objetivos bem definidos orientam o projeto. Isso significa escolher prioridades compatíveis com a estratégia da indústria, como estabilidade do processo, redução de ocorrências, atendimento a requisitos de cliente, melhoria do controle de resíduos ou fortalecimento da prevenção de acidentes.

O diagnóstico deve terminar com uma visão de lacunas e prioridades. Nem todo documento precisa ser criado imediatamente. O critério é o risco para o negócio, para as pessoas, para o ambiente e para a conformidade.

Desenvolvimento de um plano de ação

O plano de ação transforma o diagnóstico em execução. Cada iniciativa precisa ter responsável, recurso, critério de conclusão e forma de verificação. A direção deve aprovar prioridades e remover obstáculos, enquanto os gestores de processo assumem a implantação dos controles que pertencem às suas áreas.

Uma sequência prática começa pela política integrada e pelo contexto da organização. Depois, a empresa estrutura a avaliação de riscos e oportunidades, o controle de requisitos, a documentação necessária, os treinamentos, a resposta a emergências, as auditorias e a análise crítica. Processos comuns devem ser desenhados uma vez, com anexos específicos quando um requisito exigir tratamento próprio.

Em uma indústria de transformação, o plano pode conectar cadastro de matéria-prima, aprovação de fornecedor, inspeção de recebimento, ordem de produção, apontamento, controle de lote, tratamento de produto não conforme e expedição. Quando os registros são digitais, a liderança consegue acompanhar pendências e evidências com mais agilidade. Um sistema de gestão industrial pode apoiar essa integração, desde que respeite o desenho dos processos e não seja usado para mascarar falhas de definição.

A GestãoIND entende que tecnologia deve servir ao processo. Por isso, recomenda avaliar se o sistema escolhido permite adaptar fluxos, regras e registros à realidade da fábrica, conectando PCP, estoque, compras, fiscal e financeiro quando essa integração for necessária para a decisão.

Capacitação e engajamento da equipe

Capacitação não deve se limitar à apresentação das normas. Cada pessoa precisa entender o que mudou em sua rotina, qual risco o controle reduz, que registro deve ser produzido e o que fazer quando algo sai do padrão. O operador precisa receber instruções aplicáveis ao posto; a liderança precisa saber acompanhar; e a direção precisa conhecer os indicadores que sustentam suas decisões.

A equipe requer capacitação constante para compreender e aderir aos processos do SGI. Esse aprendizado pode combinar treinamentos presenciais, diálogos de segurança, instruções visuais, simulações de emergência, acompanhamento no posto e análise de ocorrências reais. A eficácia deve ser verificada pela execução, não apenas pela presença em uma lista.

O engajamento aumenta quando os trabalhadores participam do diagnóstico e da construção dos controles. Quem opera a máquina conhece dificuldades que não aparecem no procedimento. Abrir canais para sugestões, tratar relatos sem punição automática e devolver respostas sobre as ações adotadas fortalece a confiança.

Antes de expandir o sistema para toda a operação, um processo piloto ajuda a testar documentos, responsabilidades, registros e indicadores. A empresa pode corrigir ambiguidades, ajustar o treinamento e consolidar o método antes de aplicar a mesma lógica em outras áreas.

Quais são os principais desafios na implementação do SGI?

Resistência à mudança

A resistência costuma aparecer quando o SGI é percebido como fiscalização, papelada ou uma iniciativa exclusiva da qualidade. Em uma fábrica pressionada por prazo, qualquer controle novo parece retirar tempo da produção. A resposta não é impor formulários sem explicar sua finalidade. É mostrar como o padrão protege o processo, evita repetição de erros e ajuda a decidir com dados.

A liderança tem papel decisivo. Se gestores cobram registros, mas ignoram desvios quando há urgência, a mensagem real é que o sistema pode ser contornado. Se a direção participa das análises, reconhece melhorias e fornece recursos, o SGI passa a ser tratado como parte da gestão. A Fundação Vanzolini inclui cultura organizacional, resistência, engajamento, recursos, indicadores e auditorias entre os desafios práticos da implantação.

Outro ponto é evitar mudanças simultâneas sem prioridade. A empresa deve começar pelos processos de maior risco ou impacto, comunicar o motivo da mudança e acompanhar os resultados. Treinamento próximo da rotina, linguagem simples e retorno rápido sobre dúvidas reduzem a sensação de que o SGI pertence apenas ao escritório.

Integração de processos e documentação

A integração documental é difícil quando cada área criou seus próprios formulários, siglas, critérios e versões. O resultado é duplicidade: a mesma ocorrência é lançada em registros diferentes, com informações que não coincidem. A solução começa por uma arquitetura de documentos que defina o que é política, procedimento, instrução, formulário e registro, além de indicar quem aprova, revisa e controla cada item.

O mapeamento deve procurar processos compartilhados, não somente departamentos. Compras influencia qualidade, meio ambiente e segurança. Manutenção afeta disponibilidade, consumo, emissões e perigos. Produção depende de materiais corretos, parâmetros estáveis e pessoas capacitadas. Uma matriz integrada de riscos e requisitos ajuda a visualizar essas conexões sem apagar as responsabilidades específicas.

A tecnologia pode reduzir versões dispersas, mas não resolve processos mal definidos. Antes de automatizar, a equipe precisa esclarecer quem faz, quando faz, qual evidência fica registrada e o que acontece diante de uma exceção. Integrações com sistemas legados também devem ser planejadas para evitar digitação duplicada e perda de rastreabilidade. A GestãoIND recomenda tratar esse desenho como parte do projeto, especialmente em operações metalúrgicas com roteiros, lotes, serviços externos e apontamentos de produção.

A NQA afirma que integrar sistemas e processos em uma estrutura abrangente pode reduzir a duplicação de tarefas e melhorar a eficiência. O ganho aparece quando a documentação representa o trabalho real e quando a auditoria verifica a eficácia do controle, não apenas a existência do arquivo.

O que faz um profissional de SGI?

O profissional de SGI estrutura, mantém e aprimora o sistema integrado, conectando requisitos de qualidade, meio ambiente e saúde e segurança ocupacional aos processos da organização. Ele atua como articulador entre direção, áreas operacionais, auditoria e equipes.

Sua atuação começa pelo diagnóstico. Ele pode mapear processos, identificar lacunas, avaliar riscos, organizar requisitos e propor prioridades. Também ajuda a definir a arquitetura documental, os responsáveis pelos controles, os critérios de auditoria e os indicadores que demonstram desempenho.

No cotidiano, esse profissional acompanha não conformidades, investiga causas, coordena ações corretivas e verifica se elas foram eficazes. Pode apoiar a manutenção de certificações, conduzir auditorias internas, preparar reuniões de análise crítica e orientar gestores na interpretação dos requisitos. O trabalho exige capacidade de conversar com áreas administrativas e com o chão de fábrica.

O profissional de SGI pode atuar no diagnóstico de áreas e equipes, na estruturação integrada de normas, certificações, riscos, documentos e processos e na consolidação da gestão sistêmica de riscos. Também pode participar de programas de melhoria contínua e auditorias.

Na prática, o cargo pode receber nomes diferentes, como analista, coordenador ou especialista. Mais importante que o título é a autonomia para acessar informações, envolver responsáveis e levar problemas à direção. O profissional não deve ser o dono isolado da conformidade. Ele organiza o método, mas cada gestor precisa responder pelo desempenho do próprio processo.

A função também pode envolver a manutenção do SGI, o acompanhamento de indicadores, a atualização de procedimentos, a condução de auditorias internas e o treinamento das equipes. Em uma empresa industrial, esse profissional precisa compreender os fluxos de produção e não apenas a linguagem normativa.

Quando a estrutura é menor, algumas responsabilidades podem ser acumuladas por uma pessoa com apoio de líderes de processo. Mesmo assim, convém definir claramente quem decide, quem executa, quem verifica e quem aprova. Sem essa clareza, o sistema depende de esforço individual e perde continuidade quando a rotina muda.

Como monitorar e avaliar o SGI?

O SGI deve ser monitorado por indicadores, auditorias internas, análise de não conformidades, avaliação de riscos e análise crítica da direção. Monitorar não é apenas reunir dados: é interpretar tendências, decidir ações e verificar se elas produziram efeito.

Estabelecimento de indicadores de desempenho

Os indicadores precisam refletir objetivos e riscos relevantes. Na qualidade, podem acompanhar não conformidades, retrabalho, devoluções, cumprimento de inspeções e desempenho de fornecedores. No meio ambiente, podem observar consumo de insumos, geração de resíduos, ocorrências e atendimento a controles. Em saúde e segurança, podem acompanhar relatos de perigos, inspeções, treinamentos, incidentes e cumprimento de medidas preventivas.

Definir KPIs é fundamental para monitorar a eficácia do SGI e identificar oportunidades de melhoria. O indicador deve ter definição, fonte, responsável, periodicidade, meta e regra de interpretação. Um número isolado não explica a causa. Por isso, os resultados precisam ser analisados com contexto de processo, turno, produto, equipamento e mudança recente.

Em uma operação industrial, dados de produção, estoque, manutenção e qualidade podem enriquecer a análise do SGI. Um aumento de retrabalho pode estar ligado a matéria-prima, ferramenta, treinamento ou parâmetro de processo. A GestãoIND recomenda buscar uma visão integrada, pois decisões mais rápidas dependem de dados confiáveis e conectados à realidade operacional.

A quantidade de indicadores deve ser controlada. Um painel cheio de métricas que ninguém analisa não representa maturidade. É melhor acompanhar poucos indicadores úteis, discutir tendências e registrar decisões. Quando uma meta não é atingida, a organização deve abrir investigação proporcional ao risco e acompanhar a ação até o encerramento.

Realização de auditorias internas

A auditoria interna verifica se o sistema está implementado, atende aos requisitos definidos e produz resultados. Ela deve examinar evidências, conversar com responsáveis, observar a execução e comparar a prática com o padrão. Não é uma busca por culpados. Seu objetivo é encontrar fragilidades antes que elas provoquem consequências maiores ou sejam identificadas por uma parte externa.

O programa de auditoria deve considerar importância dos processos, mudanças recentes, resultados anteriores e riscos. Auditar apenas a documentação pode esconder problemas do chão de fábrica. Em uma metalúrgica, é necessário observar recebimento, armazenamento, preparação, usinagem, tratamento, inspeção, manutenção, serviços terceirizados, expedição e resposta a emergências conforme o escopo definido.

As constatações precisam ser classificadas e tratadas com causa, ação, responsável, prazo e evidência de eficácia. Corrigir o documento sem corrigir a causa mantém o risco. A auditoria seguinte deve verificar se o problema foi resolvido e se o controle continua funcionando.

O monitoramento regular, as auditorias e as análises críticas ajudam a identificar ajustes e melhorias. A análise crítica da direção fecha o ciclo ao avaliar desempenho, recursos, riscos, oportunidades e prioridades. É nesse momento que o SGI deixa de ser apenas uma obrigação de conformidade e passa a orientar investimentos e decisões operacionais.

Para começar, a indústria pode reunir seus processos críticos, identificar requisitos comuns, escolher indicadores que já tenham dados confiáveis e programar uma auditoria piloto. O próximo passo é conversar com as áreas envolvidas sobre o escopo, os riscos e os resultados esperados.

  • Integrar qualidade, meio ambiente e segurança sem duplicar procedimentos → Mapeie processos comuns e crie controles compartilhados, mantendo requisitos específicos em anexos ou instruções próprias.
  • Preparar a fábrica para uma certificação → Faça um diagnóstico de lacunas, priorize riscos e estabeleça evidências de execução antes de programar a avaliação formal.
  • Reduzir resistência no chão de fábrica → Envolva operadores e líderes na construção dos padrões, treine no posto e mostre o efeito prático de cada controle.
  • Acompanhar se o SGI está gerando resultado → Defina indicadores ligados aos riscos e objetivos, realize auditorias internas e verifique a eficácia das ações corretivas.
  • Indústria que mantém controles separados por área: Comece pelo mapeamento de processos compartilhados e pela eliminação de documentos duplicados.
  • Metalúrgica com muitos desvios operacionais: Priorize análise de riscos, ações corretivas, rastreabilidade e indicadores conectados à produção.
  • Empresa que já possui normas implantadas isoladamente: Use a estrutura comum das normas para unificar política, auditorias, indicadores e análise crítica.
  • Indústria em busca de apoio tecnológico para integrar processos: Avalie uma plataforma com fluxos adaptáveis e integração com PCP, estoque, compras e demais registros necessários.

Leia também

Perguntas frequentes

SGI é a mesma coisa que um software de gestão?

Não. SGI é o modelo de gestão que integra qualidade, meio ambiente e saúde e segurança ocupacional. Um software pode centralizar documentos, registros, indicadores e fluxos, mas não substitui liderança, processos, capacitação e auditorias.

Quais normas formam o SGI mais comum na indústria?

A combinação mais comum reúne ISO 9001 para qualidade, ISO 14001 para meio ambiente e ISO 45001 para saúde e segurança ocupacional. A empresa também pode adotar somente parte delas, conforme seus objetivos e riscos.

Uma metalúrgica precisa ter certificação para implantar um SGI?

Não necessariamente. A organização pode estruturar e operar um sistema integrado antes de buscar certificação. A certificação é uma avaliação formal, enquanto o SGI é a forma como a empresa organiza processos, controles, responsabilidades e melhoria.

Por onde uma indústria deve começar?

Comece pelo diagnóstico dos processos reais, requisitos aplicáveis, riscos, documentos e controles existentes. Em seguida, defina metas, priorize lacunas e envolva os responsáveis por produção, qualidade, manutenção, compras, segurança e direção.

Como reduzir a resistência da equipe?

Explique o motivo de cada controle, envolva os trabalhadores no desenho dos procedimentos e mostre como os registros ajudam a evitar retrabalho, acidentes e desvios. Treinamento aplicado ao posto e retorno sobre sugestões também aumentam a adesão.

Quais indicadores podem acompanhar o SGI?

A seleção depende dos objetivos e riscos. Podem ser acompanhados indicadores de não conformidade, retrabalho, inspeções, resíduos, consumo, incidentes, treinamentos, ações corretivas e desempenho de fornecedores, sempre com definição e responsável.

Qual é o papel da auditoria interna?

A auditoria interna verifica se os processos seguem o padrão definido, se os requisitos são atendidos e se os controles são eficazes. Ela deve gerar constatações tratáveis, com análise de causa, responsáveis e verificação posterior.

Glossário

SGI: Sistema de Gestão Integrada que reúne sistemas e processos de gestão em uma estrutura comum.

ISO 9001: Norma de sistema de gestão da qualidade, orientada ao atendimento de requisitos e à melhoria dos processos.

ISO 14001: Norma de sistema de gestão ambiental, voltada a aspectos ambientais, obrigações e controles operacionais.

ISO 45001: Norma de sistema de gestão de saúde e segurança ocupacional, com foco em perigos, riscos e prevenção.

Anexo SL: Estrutura de alto nível da ISO que padroniza arquitetura, termos e definições de normas de gestão.

Não conformidade: Descumprimento de um requisito definido, que deve ser analisado e tratado conforme seu impacto.

KPI: Indicador-chave de desempenho usado para acompanhar resultados e apoiar decisões.

Auditoria interna: Avaliação planejada dos processos e controles realizada para verificar conformidade e eficácia.

Você também pode se interessar

Quer aplicar isso na sua fábrica?

O GestãoIND integra PCP, estoque, fiscal e chão de fábrica em um ERP feito para indústria.

Solicitar demonstração Ver soluções