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PCP

Programação de Produção PCP: Como Criar um Cronograma de Produção Eficiente

Organize recursos, materiais, capacidade e prazos para melhorar o planejamento da produção.

Isabella Cardoso 02 set 2026 38 min de leitura 7 visualizações
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Introdução

Organizar uma operação industrial envolve muito mais do que saber quais produtos precisam ser fabricados. É necessário definir quando cada produção deve começar, quais recursos serão utilizados, quanto material estará disponível, quais pedidos possuem maior prioridade e se a fábrica realmente possui capacidade para cumprir os prazos estabelecidos. É nesse contexto que a Programação de Produção PCP assume um papel importante na organização das atividades produtivas.

Em uma indústria, diversas operações acontecem simultaneamente. Enquanto uma máquina está produzindo determinado item, outra pode estar sendo preparada para um novo lote, materiais podem estar sendo separados no estoque e novas ordens podem estar aguardando liberação. Quando essas atividades não seguem uma programação organizada, pequenas alterações podem provocar impactos em várias etapas do processo.

A programação permite transformar a demanda em uma sequência de atividades produtivas. Em vez de decidir diariamente o que fabricar com base apenas em urgências, a empresa passa a trabalhar com um cronograma que considera prioridades, disponibilidade de materiais, capacidade das máquinas, equipes e datas previstas para conclusão.

A Programação de Produção PCP também facilita a visualização da utilização dos recursos ao longo do tempo. Dessa forma, o setor responsável pelo planejamento consegue identificar antecipadamente períodos com excesso de carga ou capacidade disponível, permitindo distribuir melhor as ordens de produção.

Atrasos nas ordens de produção

Um dos principais desafios de uma indústria é garantir que as ordens sejam concluídas dentro das datas planejadas. Quando várias ordens são abertas sem uma sequência definida, diferentes produtos podem disputar os mesmos recursos produtivos.

Uma determinada máquina, por exemplo, pode estar programada para atender várias ordens no mesmo período. Se essa situação não for identificada antecipadamente, uma ou mais produções precisarão esperar, aumentando o risco de atraso.

O cronograma permite definir datas previstas para início e término de cada atividade, ajudando o PCP a visualizar quais ordens precisam ser iniciadas primeiro para que os compromissos de produção sejam atendidos.

Máquinas ociosas ou sobrecarregadas

A disponibilidade das máquinas também precisa ser considerada durante a programação.

Uma máquina ociosa representa capacidade disponível que poderia ser utilizada para antecipar determinadas operações ou distribuir melhor a carga produtiva. Por outro lado, uma máquina com atividades programadas acima da sua capacidade pode se transformar em um gargalo.

Por isso, uma programação eficiente busca equilibrar a carga entre os recursos disponíveis. Isso não significa manter todas as máquinas ocupadas durante todo o tempo, mas programar as operações de acordo com a capacidade real de cada recurso.

Falta de matérias-primas

Não é suficiente existir capacidade de máquina se os materiais necessários para fabricar determinado produto não estiverem disponíveis.

Antes de programar uma ordem, é importante verificar matérias-primas, componentes e demais insumos necessários para sua execução. Quando essa conferência não acontece, a indústria pode reservar uma máquina para determinada atividade e descobrir, no momento da produção, que algum componente ainda não foi recebido.

A programação deve considerar tanto o estoque existente quanto as entradas previstas de materiais. Dessa maneira, as ordens podem ser distribuídas considerando quando os insumos estarão efetivamente disponíveis.

Acúmulo de produtos em processo

Outro problema comum ocorre quando uma etapa produz mais rapidamente do que a etapa seguinte consegue processar.

Imagine uma operação de corte que libera grandes quantidades de componentes, enquanto a montagem possui capacidade menor. O resultado pode ser um acúmulo de itens aguardando a próxima operação.

Esse estoque intermediário ocupa espaço, dificulta o acompanhamento das ordens e pode aumentar o tempo total necessário para concluir a produção.

A programação ajuda a sincronizar melhor as etapas, considerando a capacidade de cada centro de trabalho e a dependência existente entre as operações.

Mudanças constantes nas prioridades

Pedidos urgentes, materiais atrasados, máquinas indisponíveis e alterações na demanda podem modificar o planejamento original.

Sem uma visão organizada do cronograma, cada nova urgência pode provocar uma sequência de mudanças improvisadas. Uma ordem é interrompida para liberar outra, posteriormente uma terceira se torna prioritária e, em pouco tempo, o planejamento inicial deixa de representar a realidade da fábrica.

A Programação de Produção PCP permite avaliar o impacto dessas mudanças. Quando uma nova prioridade é incluída, o responsável pelo planejamento consegue visualizar quais atividades precisarão ser deslocadas e quais datas poderão ser afetadas.

Dificuldade para cumprir prazos de entrega

O prazo prometido ao cliente depende de diversas etapas anteriores.

Não basta considerar apenas o tempo necessário para fabricar o produto. Também podem existir períodos relacionados à espera por materiais, preparação das máquinas, movimentação entre setores e execução de diferentes operações.

Quando esses fatores são considerados no cronograma, a empresa passa a ter uma base mais organizada para avaliar se determinada data de entrega é compatível com sua capacidade produtiva.

Falta de visão sobre a capacidade produtiva

Para programar corretamente, é necessário conhecer quanto cada recurso consegue produzir dentro de determinado período.

Uma indústria pode possuir dezenas de ordens abertas e, aparentemente, ter recursos suficientes para executá-las. Entretanto, ao analisar cada operação separadamente, pode ser identificado que todas dependem de uma mesma máquina ou setor.

A capacidade precisa ser analisada por recurso, centro de trabalho ou etapa produtiva. Esse detalhamento permite identificar onde existem restrições que podem comprometer o cronograma.

Por isso, um cronograma eficiente deve conectar diferentes informações da operação:

Demanda → Materiais → Máquinas → Equipes → Capacidade → Prazos

Quanto mais consistentes forem essas informações, maior será a capacidade do PCP de criar uma programação compatível com a realidade da indústria.


O que é Programação de Produção PCP e como funciona?

A Programação de Produção PCP é o processo utilizado para organizar as atividades produtivas de acordo com demandas, recursos, materiais, capacidades e prazos. Seu objetivo é transformar as necessidades de produção em uma sequência organizada de ordens e operações que possam ser executadas pela fábrica.

A programação está inserida dentro de um processo mais amplo conhecido como Planejamento e Controle da Produção.

O que significa PCP

PCP significa Planejamento e Controle da Produção. Trata-se do conjunto de atividades utilizadas para planejar, organizar, acompanhar e controlar aquilo que será produzido pela indústria.

O PCP funciona como uma ligação entre diferentes informações da empresa. Pedidos de clientes, previsões de demanda, estoque, compras, estrutura dos produtos, capacidade das máquinas e andamento das ordens precisam ser analisados em conjunto para que a produção seja organizada.

Entre as principais perguntas que o PCP busca responder estão:

  • O que precisa ser produzido?

  • Quanto precisa ser produzido?

  • Quando a produção deve acontecer?

  • Quais materiais serão necessários?

  • Quais máquinas serão utilizadas?

  • Quanto tempo cada etapa deve levar?

  • Qual ordem deve ser executada primeiro?

  • Existe capacidade suficiente para atender a demanda?

  • O que já foi produzido?

  • Quais ordens estão atrasadas?

Essas respostas permitem construir uma visão mais completa do processo industrial.

Planejamento, programação e controle são a mesma coisa?

Embora estejam diretamente relacionados, planejamento, programação e controle representam momentos diferentes da gestão da produção.

Planejamento da produção

O planejamento procura determinar o que deverá ser produzido de acordo com a demanda existente ou prevista.

Nessa etapa, podem ser considerados pedidos confirmados, previsões de vendas, necessidades de reposição de estoque e outros fatores que influenciam a necessidade de fabricação.

O planejamento trabalha com uma visão mais ampla. Seu objetivo é identificar quais produtos precisam ser fabricados, em quais quantidades e dentro de quais períodos.

Programação da produção

Depois de determinar o que será necessário produzir, é preciso organizar quando e onde cada atividade acontecerá.

É nesse momento que ocorre a programação.

A Programação de Produção PCP distribui ordens e operações ao longo do calendário produtivo, considerando recursos, capacidade, disponibilidade de materiais, prioridades e prazos.

Uma ordem pode depender de várias operações. Por exemplo:

Corte → Usinagem → Montagem → Acabamento → Inspeção

Cada uma dessas operações pode utilizar máquinas ou setores diferentes. A programação precisa determinar quando cada etapa deverá acontecer para que o produto esteja concluído dentro da data prevista.

Controle da produção

O controle verifica o que está efetivamente acontecendo no ambiente produtivo.

Enquanto a programação estabelece o que deveria acontecer, o controle compara o planejado com o realizado.

Essa comparação pode mostrar que uma operação prevista para durar quatro horas levou cinco horas, que determinada ordem começou depois da data planejada ou que a quantidade produzida ficou abaixo da meta prevista.

As informações coletadas durante a execução ajudam o PCP a atualizar o cronograma e melhorar planejamentos futuros.

Onde entra o cronograma de produção

O cronograma é uma representação organizada das atividades que deverão ocorrer dentro de determinado período.

Ele pode apresentar ordens, operações, máquinas, datas de início, datas de término, prioridades e responsáveis.

Um fluxo simplificado pode ser representado da seguinte forma:

Demanda → Planejamento → Necessidade de materiais → Ordens de Produção → Programação → Execução → Apontamentos → Controle

Cada etapa fornece informações para a seguinte.

Demanda

O processo começa com a identificação daquilo que precisa ser produzido. A demanda pode ser originada por pedidos confirmados, previsões ou necessidade de reposição.

Planejamento

As necessidades são transformadas em quantidades e períodos produtivos.

Necessidade de materiais

A estrutura dos produtos é analisada para identificar quais matérias-primas e componentes serão necessários.

Ordens de Produção

As necessidades planejadas podem ser organizadas por meio de ordens que identificam produto, quantidade, prazo e demais informações necessárias à fabricação.

Programação

As ordens são distribuídas no calendário conforme capacidade, recursos, materiais e prioridades.

Execução

A fábrica realiza as operações programadas.

Apontamentos

Durante a execução, são registrados dados como quantidades produzidas, tempos, perdas, paradas e conclusão das operações.

Controle

O PCP compara o resultado realizado com aquilo que havia sido programado.

Esse ciclo não deve ser interpretado como um processo completamente estático. A realidade da produção pode mudar durante o dia. Uma máquina pode parar, um material pode atrasar ou uma ordem pode terminar antes do previsto.

Por isso, as informações obtidas durante o controle precisam retornar ao planejamento e à programação. Dessa forma, o cronograma pode ser atualizado conforme as condições reais da indústria.


Quais informações são necessárias antes de criar um cronograma de produção?

A qualidade da Programação de Produção PCP depende diretamente das informações utilizadas para montar o cronograma. Mesmo uma programação detalhada pode apresentar problemas quando é construída com dados incorretos, desatualizados ou incompletos.

Antes de distribuir Ordens de Produção entre máquinas, setores e datas, é importante reunir informações relacionadas à demanda, materiais, produtos, operações, tempos e recursos disponíveis.

Pedidos e demanda

O primeiro ponto é identificar aquilo que realmente precisa ser produzido.

Os pedidos confirmados representam compromissos assumidos pela empresa e normalmente possuem quantidades e datas de entrega definidas. Essas informações devem fazer parte da programação para que as ordens sejam posicionadas dentro do cronograma.

Também podem existir previsões de venda. Elas ajudam a preparar a indústria para demandas futuras, principalmente quando determinados produtos possuem fabricação recorrente ou períodos de maior procura.

Entre as informações importantes estão:

  • Produto solicitado.

  • Quantidade necessária.

  • Data prevista de entrega.

  • Prioridade.

  • Quantidade já disponível em estoque.

  • Quantidade que ainda precisa ser produzida.

Uma demanda de mil unidades, por exemplo, não significa necessariamente produzir as mil unidades. Se duzentas unidades acabadas estiverem disponíveis e liberadas no estoque, a necessidade produtiva poderá ser menor.

Estoque disponível

O estoque precisa fornecer uma visão confiável dos materiais que podem ser utilizados.

A análise deve incluir matérias-primas, componentes, produtos intermediários e, quando necessário, produtos acabados.

Entretanto, não basta observar apenas o saldo físico. Parte do estoque pode já estar reservada para outras Ordens de Produção.

Se existem cem unidades de um componente armazenadas, mas oitenta já estão comprometidas com outras ordens, somente vinte unidades permanecem efetivamente disponíveis para novas necessidades.

Essa diferença é importante para evitar que duas produções sejam programadas contando com o mesmo material.

Estrutura dos produtos

A estrutura do produto mostra quais materiais e componentes são necessários para sua fabricação.

Para que a programação seja confiável, é necessário conhecer:

  • Matérias-primas utilizadas.

  • Componentes.

  • Quantidades consumidas.

  • Unidades de medida.

  • Produtos intermediários.

  • Relações entre componentes e produto final.

Se um produto utiliza quatro unidades de determinado componente e a ordem prevê fabricar quinhentas unidades, será necessário considerar a necessidade de duas mil unidades desse componente, descontando eventuais estoques e reservas aplicáveis.

Uma estrutura incorreta pode gerar necessidade de compra inadequada ou falta de material durante a fabricação.

Roteiro de produção

Além de saber quais materiais serão consumidos, é necessário conhecer como o produto será fabricado.

O roteiro de produção define as operações necessárias e a sequência em que elas devem acontecer.

Por exemplo:

Preparação → Corte → Dobra → Soldagem → Pintura → Montagem

Uma operação pode depender da conclusão da anterior. Portanto, não seria possível programar a montagem antes da finalização das etapas necessárias.

O roteiro também permite relacionar cada operação ao recurso responsável, como uma máquina específica, um setor ou um centro de trabalho.

Quanto mais estruturado estiver o roteiro, mais fácil será determinar onde cada ordem precisará passar e quanto da capacidade produtiva será utilizada.

Tempos produtivos

O tempo é uma das informações mais importantes para construir um cronograma.

Não basta saber que determinada ordem utiliza uma máquina. É necessário estimar por quanto tempo esse recurso ficará ocupado.

Tempo de preparação

Representa o período necessário para preparar o recurso antes da produção.

Pode envolver troca de ferramentas, regulagem, limpeza, configuração ou preparação de materiais.

Tempo de processamento

É o período utilizado diretamente na fabricação.

Dependendo do processo, esse tempo pode ser calculado por unidade, lote ou operação.

Tempo de movimentação

Em determinados ambientes industriais, materiais precisam ser transportados entre setores ou centros de trabalho. Esse deslocamento também pode influenciar o cronograma.

Tempo entre operações

Uma etapa nem sempre começa imediatamente após a anterior.

Pode existir espera por disponibilidade de máquina, resfriamento, secagem, inspeção ou outros processos intermediários.

Ignorar esses períodos pode fazer com que a data final calculada para uma ordem seja inferior ao tempo realmente necessário.

Recursos disponíveis

A programação também depende de conhecer quais recursos podem executar cada operação.

Entre eles estão:

  • Máquinas.

  • Equipamentos.

  • Linhas de produção.

  • Setores.

  • Centros de trabalho.

  • Equipes.

  • Operadores disponíveis.

Não basta cadastrar a existência de uma máquina. Também é necessário considerar sua disponibilidade dentro do calendário produtivo.

Uma máquina que opera durante oito horas diárias não pode receber dezesseis horas de produção para o mesmo dia sem que exista uma alteração de turno ou outra condição que aumente sua capacidade.

Também devem ser consideradas indisponibilidades previstas, como manutenções, bloqueios, intervalos e períodos em que determinados recursos não estarão em operação.

As informações precisam trabalhar de maneira integrada. A demanda mostra o que deve ser produzido, a estrutura identifica os materiais necessários, o roteiro determina as operações, os tempos indicam a duração das atividades e os recursos mostram onde elas poderão ser realizadas.

Assim, antes de colocar uma Ordem de Produção no calendário, a Programação de Produção PCP precisa verificar se existem condições reais para executá-la na quantidade, sequência e prazo definidos.

Como calcular a capacidade produtiva antes de programar a produção?

Antes de distribuir Ordens de Produção pelo calendário, é necessário saber se a fábrica realmente possui condições para executar o volume planejado. A capacidade produtiva permite comparar quanto tempo e recursos estão disponíveis com aquilo que será exigido pela demanda.

Essa análise é uma das bases da Programação de Produção PCP, pois evita que ordens sejam colocadas em datas nas quais máquinas, setores ou centros de trabalho já estejam totalmente ocupados.

Quando a capacidade não é considerada, o cronograma pode parecer adequado no planejamento, mas se tornar impossível de executar na prática. Uma única máquina pode receber mais horas de produção do que possui disponíveis, criando atrasos que afetam todas as operações seguintes.

O que é capacidade produtiva

Capacidade produtiva representa quanto determinado recurso consegue produzir ou trabalhar dentro de um período.

Esse recurso pode ser:

  • Uma máquina.

  • Uma linha de produção.

  • Um equipamento.

  • Um setor.

  • Um centro de trabalho.

  • Uma equipe.

  • Um conjunto de recursos produtivos.

A capacidade pode ser analisada em unidades produzidas ou em horas disponíveis.

Por exemplo, se uma máquina trabalha oito horas por dia durante cinco dias, sua capacidade teórica semanal será de quarenta horas. Entretanto, nem sempre todo esse período estará disponível para fabricação.

Podem existir intervalos, ajustes, limpezas, manutenções, trocas de ferramentas e outras atividades que reduzem o tempo realmente disponível.

Por esse motivo, é importante utilizar uma capacidade compatível com a realidade da operação.

Capacidade disponível e capacidade necessária

Dois conceitos ajudam a entender se o cronograma pode ser executado: capacidade disponível e capacidade necessária.

A capacidade disponível representa quanto tempo determinado recurso possui para realizar atividades produtivas em um período.

Imagine uma máquina disponível durante quarenta horas em uma semana.

Se todas as Ordens de Produção programadas para utilizar essa máquina exigirem trinta horas, ainda existirão dez horas disponíveis.

Por outro lado, se as ordens exigirem cinquenta horas, haverá uma necessidade superior à capacidade existente.

A comparação pode ser representada de forma simples:

Capacidade disponível – capacidade necessária = saldo de capacidade

Se o resultado for positivo, existe capacidade disponível.

Se o resultado estiver próximo de zero, o recurso está próximo do limite.

Se a necessidade superar a capacidade, existe uma sobrecarga que precisa ser analisada antes de liberar o cronograma.

Carga de máquinas e centros de trabalho

A carga representa a quantidade de trabalho atribuída a determinado recurso.

Na Programação de Produção PCP, analisar a carga ajuda a visualizar como as Ordens de Produção estão distribuídas ao longo dos dias, semanas ou outros períodos.

Os recursos podem apresentar diferentes situações.

Com capacidade disponível

O recurso possui horas disponíveis que ainda podem receber novas operações.

Essa capacidade pode ser utilizada para antecipar determinada ordem, absorver novas demandas ou redistribuir atividades de outros recursos, quando tecnicamente possível.

Próximo do limite

O recurso possui pouco espaço disponível no período.

Essa situação exige atenção porque qualquer parada, atraso ou aumento no tempo de processamento pode comprometer o cronograma.

Sobrecarregado

A soma das operações programadas ultrapassa a capacidade disponível.

Nesse caso, o planejamento precisa ser revisto. Algumas alternativas podem envolver mudar datas, alterar a sequência das ordens, transferir operações para outro recurso compatível ou analisar a disponibilidade de períodos adicionais.

A sobrecarga deve ser identificada antes da execução para evitar que o problema seja descoberto somente quando as ordens começarem a atrasar.

Gargalos de produção

Nem todos os recursos possuem a mesma capacidade.

Uma indústria pode ter capacidade suficiente em quase todos os setores, mas possuir uma única máquina que concentra grande quantidade de operações. Esse recurso pode se transformar em um gargalo.

O gargalo é uma etapa cuja capacidade limita o fluxo da produção.

Imagine um processo formado por:

Corte → Usinagem → Pintura → Montagem

O setor de corte pode processar oitenta unidades por hora, a usinagem cinquenta, a pintura setenta e a montagem noventa.

Nesse cenário, a usinagem possui menor capacidade e pode limitar o ritmo de todo o processo.

Produzir grandes quantidades antecipadamente no corte não necessariamente aumentará a quantidade de produtos finalizados. Os itens poderão apenas se acumular antes da usinagem.

Por isso, identificar gargalos é fundamental para criar um cronograma equilibrado.

Calendário produtivo

A capacidade também depende do calendário utilizado por cada recurso.

Não basta considerar que uma máquina existe e está disponível. É necessário identificar quando ela realmente poderá operar.

O calendário produtivo deve considerar:

  • Turnos de trabalho.

  • Horários de início e término.

  • Intervalos.

  • Dias úteis.

  • Finais de semana.

  • Feriados.

  • Manutenções programadas.

  • Paradas previamente conhecidas.

  • Indisponibilidades dos recursos.

Uma máquina pode ter capacidade normal de oito horas por dia, mas estar programada para manutenção durante quatro horas na quarta-feira. Nesse dia, sua capacidade disponível será menor.

O mesmo princípio pode ser aplicado a centros de trabalho e equipes.

Abaixo está um exemplo simples de análise:

Recurso Capacidade disponível Carga planejada Situação
Máquina de Corte 40 horas 30 horas Capacidade disponível
Centro de Usinagem 40 horas 39 horas Próximo do limite
Máquina de Pintura 32 horas 38 horas Sobrecarregado
Montagem 80 horas 62 horas Capacidade disponível
Inspeção 40 horas 40 horas Capacidade totalmente utilizada

Esse tipo de visualização ajuda o responsável pela programação a identificar onde será possível incluir novas atividades e quais recursos precisam ter suas cargas reorganizadas.


Como criar um cronograma de produção eficiente passo a passo?

Criar um cronograma eficiente significa transformar as necessidades da indústria em atividades organizadas por datas, recursos e prioridades. Na prática, o cronograma precisa mostrar não apenas o que será produzido, mas quando cada operação começará, quanto tempo deverá durar e quais recursos serão utilizados.

A Programação de Produção PCP precisa combinar informações comerciais, produtivas e operacionais para construir um planejamento que possa realmente ser executado.

Definir o que precisa ser produzido

O primeiro passo é identificar todas as necessidades existentes para o período analisado.

Isso pode envolver pedidos de clientes, reposições de estoque, produtos intermediários ou outras demandas produtivas.

Para cada necessidade, devem ser identificados pelo menos:

  • Produto.

  • Quantidade.

  • Prazo.

  • Prioridade.

  • Saldo disponível em estoque.

Se existe demanda de quinhentas unidades, mas cem produtos acabados estão disponíveis para utilização, a quantidade que precisa efetivamente ser fabricada pode ser de quatrocentas unidades.

Estabelecer datas de necessidade

Depois de saber o que produzir, é necessário determinar quando cada item precisa estar pronto.

Essa data funciona como uma referência para organizar as etapas anteriores.

Se determinado produto deve estar finalizado na sexta-feira, pode ser necessário iniciar sua fabricação na terça ou quarta-feira, dependendo do roteiro e dos tempos de produção.

Quanto maior o número de etapas, mais importante se torna trabalhar com datas intermediárias.

Gerar ou organizar as Ordens de Produção

As necessidades devem ser relacionadas às respectivas Ordens de Produção.

Uma OP normalmente identifica informações como:

  • Produto.

  • Quantidade planejada.

  • Data prevista.

  • Situação da ordem.

  • Materiais necessários.

  • Operações produtivas.

Uma demanda pode originar uma única OP ou várias ordens, dependendo da forma como a fábrica organiza seus lotes.

Organizar corretamente as ordens facilita a visualização do volume de trabalho existente.

Identificar as operações necessárias

Uma Ordem de Produção raramente representa apenas uma atividade.

Um produto pode passar, por exemplo, pelas seguintes etapas:

Corte → Usinagem → Tratamento → Pintura → Montagem → Inspeção

Cada operação precisa estar associada ao recurso capaz de executá-la.

Essa definição permite entender quais máquinas e centros de trabalho serão utilizados pela ordem.

Calcular os tempos

Depois de identificar as operações, deve-se estimar o tempo necessário para cada uma.

O cálculo pode considerar:

  • Preparação da máquina.

  • Processamento.

  • Quantidade produzida.

  • Tempo por unidade.

  • Movimentação.

  • Esperas técnicas.

Suponha que uma operação possua uma hora de preparação e cinco minutos de processamento por unidade. Se forem fabricadas sessenta unidades, o cronograma deve considerar tanto o setup quanto o tempo necessário para processar todo o lote.

Essa análise permite calcular a duração mais próxima da realidade.

Verificar materiais disponíveis

Antes de reservar uma máquina para uma OP, é necessário saber se os insumos estarão disponíveis quando a produção começar.

A verificação deve considerar:

  • Saldo disponível.

  • Quantidades reservadas.

  • Compras em aberto.

  • Previsões de recebimento.

  • Necessidades de outras ordens.

Programar uma operação sem material disponível pode gerar espaços improdutivos no calendário.

Por isso, disponibilidade de recurso e disponibilidade de material devem ser avaliadas conjuntamente.

Verificar capacidade dos recursos

Com os tempos calculados, é possível transformar as ordens em carga produtiva.

Essa carga deve ser comparada à capacidade das máquinas e centros de trabalho.

Se uma máquina possui oito horas disponíveis e recebe operações que totalizam doze horas, existe um conflito.

A programação deverá redistribuir parte dessas atividades.

Distribuir as operações no calendário

Depois das verificações anteriores, as operações podem ser posicionadas no calendário.

O cronograma deve indicar datas ou períodos previstos para início e término.

É importante respeitar a sequência técnica.

Se a montagem depende da conclusão da pintura, a montagem deve ser posicionada após essa operação e considerando o tempo necessário entre as etapas.

A Programação de Produção PCP deve observar essas dependências para evitar cronogramas impossíveis de executar.

Definir responsáveis e recursos

Cada atividade deve estar relacionada ao recurso responsável pela execução.

Dependendo do processo, podem ser definidos:

  • Máquina.

  • Equipamento.

  • Centro de trabalho.

  • Linha.

  • Setor.

  • Equipe.

Essa associação permite visualizar a carga de cada área e facilita o acompanhamento posterior.

Validar o cronograma

Antes de liberar a produção, é importante fazer uma validação geral.

O responsável pelo planejamento deve verificar:

  • Existem máquinas sobrecarregadas?

  • Existem operações programadas para o mesmo recurso no mesmo horário?

  • Os materiais estarão disponíveis?

  • As sequências das operações estão corretas?

  • Existem gargalos?

  • Alguma OP ultrapassa a data necessária?

  • Foram consideradas manutenções e indisponibilidades?

  • As prioridades estão sendo respeitadas?

Essa validação funciona como uma última conferência antes de transformar o planejamento em atividades de produção.


Como definir prioridades e sequenciar as Ordens de Produção?

Mesmo quando existe capacidade suficiente para executar todas as ordens, ainda é necessário determinar qual delas será realizada primeiro.

Sequenciar significa estabelecer a ordem em que os trabalhos deverão utilizar máquinas, setores e demais recursos.

Essa decisão influencia prazos, setups, utilização dos equipamentos e fluxo de materiais. Por isso, a Programação de Produção PCP precisa utilizar critérios claros para estabelecer prioridades.

Data de entrega

Um dos critérios mais importantes é a data comprometida para conclusão.

Ordens com prazos mais próximos geralmente precisam receber atenção antes daquelas com datas posteriores.

Entretanto, não basta ordenar simplesmente pelas datas de entrega. É necessário observar quanto tempo cada ordem demora para ser concluída.

Uma OP que precisa ser entregue daqui a cinco dias e possui quatro dias de processo pode ter prioridade maior do que outra que precisa ser entregue daqui a três dias, mas exige apenas algumas horas de fabricação.

Por isso, prazo e duração precisam ser analisados em conjunto.

Ordem de chegada

Em determinados processos, pode ser utilizada a sequência de entrada das ordens.

Nesse modelo, quem entra primeiro na fila é atendido primeiro.

Esse critério pode funcionar bem quando as ordens possuem características semelhantes e não existem diferenças relevantes de prioridade.

Porém, utilizar apenas a ordem de chegada pode não ser adequado quando existem prazos diferentes, setups elevados ou restrições de materiais.

Urgência

Determinadas situações podem exigir que uma ordem seja antecipada.

Um pedido prioritário, uma reposição necessária ou outra necessidade operacional pode modificar a sequência planejada.

Nesses casos, é importante avaliar o impacto da mudança.

Ao inserir uma OP urgente na frente das demais, outras ordens podem ter suas datas alteradas.

A programação precisa mostrar quais atividades serão afetadas para que a decisão não seja tomada observando apenas a nova ordem.

Tempo de processamento

O tempo necessário para executar cada trabalho também pode influenciar o sequenciamento.

Em alguns ambientes produtivos, ordens mais rápidas podem ser executadas primeiro para liberar capacidade e reduzir a quantidade de atividades aguardando processamento.

Em outros casos, ordens longas precisam começar antecipadamente para evitar atrasos futuros.

A estratégia depende das características da produção, do volume de ordens e dos compromissos existentes.

Setup e troca de produção

Alterar o tipo de produto fabricado pode exigir uma preparação da máquina.

Essa preparação, conhecida como setup, pode envolver:

  • Troca de ferramentas.

  • Limpeza.

  • Regulagens.

  • Alteração de parâmetros.

  • Mudança de matéria-prima.

  • Ajuste de equipamentos.

Quanto maior o tempo de setup, maior pode ser a vantagem de agrupar ordens semelhantes.

Por exemplo, uma máquina pode possuir quatro ordens:

Produto azul → Produto vermelho → Produto azul → Produto vermelho

Se cada mudança de cor exigir uma limpeza completa, essa sequência poderá gerar várias paradas.

Dependendo das prioridades e dos prazos, pode ser mais eficiente organizar:

Produto azul → Produto azul → Produto vermelho → Produto vermelho

Dessa forma, o número de trocas pode ser reduzido.

Os agrupamentos podem considerar características como:

  • Mesmo material.

  • Mesma máquina.

  • Mesma ferramenta.

  • Mesma configuração.

  • Mesma cor.

  • Mesmo processo.

Entretanto, reduzir setups não deve ser o único objetivo da programação. Agrupar ordens semelhantes não pode provocar atrasos em pedidos prioritários.

É necessário encontrar equilíbrio entre produtividade e cumprimento dos prazos.

Dependência entre operações

Outro fator fundamental é a relação existente entre as etapas de fabricação.

Uma operação somente pode começar quando todas as atividades necessárias anteriormente estiverem concluídas.

Considere o fluxo:

Corte → Dobra → Soldagem → Pintura → Montagem

A pintura não pode ser iniciada antes da soldagem quando o processo exige essa sequência.

Isso significa que o cronograma precisa considerar não apenas a disponibilidade da máquina de pintura, mas também quando as peças estarão liberadas pela etapa anterior.

Além disso, uma Ordem de Produção pode depender de componentes produzidos por outras ordens.

Nesse caso, existe uma dependência entre diferentes OPs.

Se a montagem final precisa de um componente fabricado internamente, a ordem desse componente deve ser programada para terminar antes do início da montagem.

Um sequenciamento eficiente deve combinar diferentes critérios:

Prazo → Prioridade → Disponibilidade de material → Capacidade → Dependências → Tempo de processamento → Setup

A ordem final de execução não deve ser definida por apenas um desses fatores. A Programação de Produção PCP precisa analisar o conjunto das restrições para organizar as Ordens de Produção de maneira compatível com os recursos disponíveis e com as datas necessárias.

Como integrar programação da produção, materiais e estoque?

Um cronograma de produção somente pode ser considerado viável quando os recursos produtivos e os materiais necessários estão disponíveis no momento planejado. Não adianta reservar uma máquina, separar horas de trabalho e definir uma data de início para uma Ordem de Produção se a matéria-prima ou algum componente essencial ainda não estiver disponível.

Por isso, a Programação de Produção PCP precisa estar diretamente relacionada ao controle de estoque e às necessidades de compras. Essa integração permite verificar antecipadamente se existem condições materiais para executar cada ordem dentro do período previsto.

Quando materiais, estoque e programação são analisados separadamente, surgem situações em que máquinas ficam aguardando insumos, ordens precisam ser interrompidas e prioridades são alteradas de forma inesperada.

Necessidade de materiais

O primeiro passo é identificar exatamente quais materiais serão consumidos por cada Ordem de Produção.

Essa informação normalmente parte da estrutura do produto, que relaciona matérias-primas, componentes e respectivas quantidades necessárias para fabricar determinado item.

Imagine que uma unidade de determinado produto utilize:

  • Duas unidades do componente A.

  • Uma unidade do componente B.

  • Três metros da matéria-prima C.

Se a Ordem de Produção prevê a fabricação de cem unidades, a necessidade bruta será de duzentas unidades do componente A, cem unidades do componente B e trezentos metros da matéria-prima C.

Essa análise precisa ser realizada antes da liberação da produção, permitindo identificar se o estoque possui quantidade suficiente para atender toda a ordem.

Também é importante considerar perdas previstas, unidades de medida e componentes intermediários quando fizerem parte do processo produtivo.

Quanto mais precisa for a estrutura do produto, mais confiável será o cálculo das necessidades.

Estoque disponível

Um erro comum é considerar o saldo físico como se toda a quantidade armazenada estivesse disponível para qualquer produção.

O saldo físico representa aquilo que está registrado no estoque. Entretanto, parte dessa quantidade pode já estar comprometida com outras Ordens de Produção.

Suponha que existam quinhentas unidades de um componente fisicamente armazenadas.

Se quatrocentas já estiverem reservadas para ordens anteriormente programadas, a quantidade efetivamente disponível será de apenas cem unidades.

Por isso, é importante diferenciar:

Saldo físico → quantidade existente no estoque.

Quantidade reservada → materiais já destinados a determinadas demandas.

Quantidade disponível → parcela que ainda pode ser utilizada em novas necessidades.

Essa diferenciação evita que várias ordens sejam planejadas contando com o mesmo material.

Reservas de materiais

A reserva permite relacionar determinadas quantidades do estoque a uma Ordem de Produção específica.

Quando uma ordem é planejada, os materiais necessários podem ser identificados e separados logicamente para aquela demanda.

Isso não significa necessariamente que o material precisa ser retirado fisicamente do estoque naquele momento. O objetivo é indicar que aquela quantidade já possui uma finalidade definida.

Esse controle é importante porque novos pedidos e novas Ordens de Produção podem surgir depois da programação inicial.

Sem reservas, o responsável pelo planejamento pode visualizar determinado saldo e acreditar que existe material suficiente, mesmo quando essa quantidade já está comprometida.

Na Programação de Produção PCP, a reserva contribui para aumentar a confiabilidade do cronograma porque permite programar as operações considerando aquilo que realmente estará disponível.

Compras e reposição

Quando o estoque disponível não é suficiente para atender às necessidades futuras, é necessário identificar a falta antes da data programada para produção.

Essa necessidade pode originar uma demanda de compra ou reposição.

Imagine uma Ordem de Produção que começará em quinze dias e precisará de mil unidades de determinada matéria-prima. Se apenas seiscentas unidades estiverem disponíveis, existe uma necessidade de quatrocentas unidades adicionais.

Essa informação deve chegar ao processo de compras com antecedência suficiente para que o fornecedor consiga realizar a entrega.

A programação passa, portanto, a fornecer informações importantes sobre:

  • Material necessário.

  • Quantidade necessária.

  • Data em que deverá estar disponível.

  • Ordem relacionada.

  • Necessidade de reposição.

Dessa maneira, compras deixam de acontecer apenas depois que o estoque acaba e passam a considerar demandas futuras da produção.

MRP e programação

O MRP, Planejamento das Necessidades de Materiais, possui relação direta com o planejamento industrial porque ajuda a calcular quais materiais serão necessários, em quais quantidades e em quais períodos.

O fluxo pode ser entendido da seguinte maneira:

Demanda → OP → Estrutura do produto → Necessidade de materiais → Estoque → Compras → Produção

Primeiro existe uma demanda que precisa ser atendida. Essa demanda pode gerar uma Ordem de Produção.

A estrutura do produto mostra quais materiais são necessários para executar essa ordem.

Depois, a necessidade calculada é comparada com o estoque disponível. Quando o saldo não é suficiente, pode ser identificada uma necessidade de compra ou produção de componentes intermediários.

Porém, não basta saber quanto comprar. É necessário saber quando o material deverá chegar.

Nesse ponto entra o lead time do fornecedor.

Se determinado componente demora dez dias para ser entregue e a produção precisa começar no dia vinte do mês, a compra deve ser planejada com antecedência suficiente para que o material esteja disponível antes do início da operação.

A disponibilidade futura também precisa considerar pedidos de compra já realizados.

Um material pode não estar disponível hoje, mas possuir recebimento confirmado para uma data anterior ao início da produção. Nesse caso, a ordem poderá permanecer no cronograma desde que essa previsão seja considerada confiável.

Assim, a integração entre materiais e programação permite verificar não apenas o que existe no estoque atualmente, mas também o que estará disponível na data em que cada Ordem de Produção realmente precisar do material.


Como acompanhar o cronograma durante a execução da produção?

Criar um cronograma é apenas uma parte do processo. Depois que as Ordens de Produção são liberadas, é necessário acompanhar aquilo que realmente acontece no ambiente produtivo.

Uma máquina pode parar, uma operação pode demorar mais do que o previsto, uma quantidade pode ser rejeitada ou uma ordem pode começar depois da data planejada.

Por isso, a Programação de Produção PCP precisa utilizar informações da execução para comparar o planejamento com a realidade e identificar quando o cronograma necessita de ajustes.

Apontamento de produção

O apontamento de produção registra aquilo que aconteceu durante a execução das atividades.

Esses registros permitem acompanhar o avanço de cada Ordem de Produção e oferecem informações importantes para verificar se os tempos e quantidades estão de acordo com o planejamento.

Entre os dados que podem ser registrados estão:

  • Quantidade produzida.

  • Quantidade rejeitada.

  • Horário de início.

  • Horário de término.

  • Operação executada.

  • Máquina utilizada.

  • Responsável.

  • Paradas.

Imagine que uma operação estivesse programada para começar às oito horas e terminar às onze horas.

Se o apontamento mostrar início às oito horas e término às treze horas, existe uma diferença de duas horas em relação ao tempo planejado.

Essa diferença pode afetar a próxima operação da mesma ordem e também outras atividades programadas para utilizar aquela máquina.

Por isso, o apontamento não deve servir apenas como histórico. Ele fornece informações que ajudam a atualizar o planejamento.

Status das Ordens de Produção

Os status facilitam a visualização do estágio em que cada ordem se encontra.

Uma empresa pode organizar suas ordens em situações como:

  • Planejada.

  • Programada.

  • Liberada.

  • Em produção.

  • Pausada.

  • Finalizada.

Uma ordem planejada ainda pode estar passando por análises relacionadas a prazo, materiais e capacidade.

Quando programada, já possui uma posição prevista dentro do cronograma.

A situação liberada pode indicar que a ordem possui autorização para iniciar sua execução.

Em produção mostra que as atividades já começaram.

Uma ordem pausada indica uma interrupção temporária, que pode ter ocorrido devido à falta de material, quebra de máquina ou outra situação.

Quando todas as operações são concluídas conforme os critérios definidos, a ordem pode ser finalizada.

Manter os status atualizados ajuda o PCP a identificar quais ordens estão avançando conforme previsto e quais precisam de atenção.

Planejado versus realizado

A comparação entre planejado e realizado permite avaliar a confiabilidade do cronograma.

Algumas análises simples podem revelar diferenças importantes.

Data planejada x Data real

Permite verificar se a operação ou a Ordem de Produção começou e terminou dentro do período previsto.

Tempo planejado x Tempo realizado

Mostra se os tempos utilizados para criar o cronograma correspondem à realidade do processo.

Quantidade planejada x Quantidade produzida

Permite verificar se o volume esperado foi efetivamente fabricado.

Suponha que uma ordem tenha sido programada para produzir mil unidades durante determinado turno.

Se o apontamento indicar produção de oitocentas unidades, ainda restarão duzentas unidades que precisarão ser consideradas no cronograma.

Ao analisar essas diferenças continuamente, a empresa também consegue melhorar os parâmetros utilizados em planejamentos futuros.

Se uma operação é planejada repetidamente para durar quatro horas, mas normalmente exige seis horas, existe um indicativo de que seu tempo padrão precisa ser revisado.

Reprogramação da produção

Mesmo um cronograma cuidadosamente elaborado pode precisar de alterações.

A produção trabalha com diferentes variáveis e algumas delas podem mudar durante a execução.

Entre as situações que podem exigir reprogramação estão:

  • Quebra de máquinas.

  • Falta de materiais.

  • Atrasos de fornecedores.

  • Produção abaixo da quantidade prevista.

  • Aumento do tempo de processamento.

  • Ordens urgentes.

  • Problemas de qualidade.

  • Ausência de recursos.

  • Manutenções não planejadas.

Imagine que uma máquina essencial permaneça indisponível durante seis horas.

Todas as operações que utilizariam aquele recurso durante esse período poderão ser afetadas.

A Programação de Produção PCP precisa avaliar quais ordens precisam ser deslocadas e como essa alteração interfere nas atividades posteriores.

A reprogramação não significa simplesmente mover todas as ordens para frente. É necessário analisar novamente prioridades, materiais, recursos disponíveis, dependências e datas de necessidade.

Em alguns casos, outra máquina compatível pode assumir determinada operação. Em outros, pode ser necessário modificar a sequência das ordens.

O acompanhamento contínuo permite identificar essas situações rapidamente e manter o cronograma mais próximo da realidade da fábrica.


Quais indicadores ajudam a avaliar a eficiência da Programação de Produção PCP?

Acompanhar indicadores permite entender se o cronograma está sendo cumprido e onde existem oportunidades de melhoria.

A Programação de Produção PCP gera diferentes informações relacionadas a ordens, máquinas, tempos e prazos. Quando esses dados são acompanhados de maneira organizada, o responsável pela produção consegue identificar padrões que nem sempre são percebidos observando apenas uma Ordem de Produção isoladamente.

Cumprimento do plano de produção

O cumprimento do plano mostra quanto da produção programada foi efetivamente executada conforme o previsto.

Uma forma simples de análise é comparar a quantidade de ordens planejadas com a quantidade concluída dentro do período definido.

Se cem ordens estavam programadas para determinada semana e noventa foram executadas conforme o plano, existe uma diferença que precisa ser investigada.

A análise pode ajudar a identificar problemas relacionados a capacidade, materiais, tempos ou mudanças frequentes de prioridade.

Atraso das Ordens de Produção

Esse indicador acompanha ordens concluídas depois da data programada.

O atraso pode ser analisado pela quantidade de OPs fora do prazo ou pelo percentual em relação ao total produzido.

Também é importante identificar quanto cada ordem atrasou.

Uma ordem concluída algumas horas depois do previsto possui impacto diferente de outra que permanece vários dias além do prazo.

Ao analisar as causas, é possível descobrir se os atrasos estão concentrados em determinadas máquinas, produtos ou operações.

Utilização da capacidade

A utilização mostra quanto da capacidade disponível dos recursos está sendo efetivamente ocupada.

Se uma máquina possui quarenta horas disponíveis durante uma semana e recebe trinta horas de operações programadas, sua utilização planejada é inferior à capacidade total disponível.

O indicador ajuda a identificar recursos com baixa utilização e também aqueles que operam constantemente próximos do limite.

Recursos frequentemente sobrecarregados podem indicar gargalos que merecem análise.

Tempo de setup

O setup representa o período necessário para preparar máquinas ou equipamentos para uma nova produção.

Quando existem muitas trocas entre produtos, materiais, ferramentas ou configurações, o tempo total de preparação pode ocupar uma parcela significativa da capacidade.

Acompanhar esse indicador permite verificar quais recursos possuem maior impacto decorrente de setups e se a sequência das ordens pode ser organizada de forma mais eficiente.

Tempo de produção

Comparar o tempo planejado com o realizado ajuda a avaliar a qualidade dos parâmetros utilizados na programação.

Quando as diferenças são frequentes, o cronograma pode estar sendo criado com estimativas que não representam a realidade.

Tempos superestimados podem deixar capacidade ociosa.

Tempos subestimados podem gerar sobrecarga e atrasos.

O histórico de execução ajuda a tornar os tempos utilizados no planejamento progressivamente mais confiáveis.

Paradas produtivas

As paradas reduzem o tempo disponível dos recursos e podem comprometer várias ordens.

É importante acompanhar:

  • Quantidade de paradas.

  • Duração.

  • Motivos.

  • Máquinas afetadas.

  • Impacto nas Ordens de Produção.

Uma máquina que apresenta pequenas interrupções frequentes pode gerar um impacto acumulado significativo ao longo do mês.

Classificar os motivos das paradas facilita a identificação das principais causas de perda de capacidade.

Lead time de produção

O lead time acompanha quanto tempo uma ordem leva para percorrer o processo produtivo.

A análise pode considerar o período desde a liberação da Ordem de Produção até sua conclusão.

Esse tempo não é formado apenas pelo processamento.

Também podem existir esperas entre operações, movimentações, filas e períodos em que o produto permanece aguardando disponibilidade de recursos.

Reduzir essas esperas pode contribuir para um fluxo produtivo mais ágil.

Aderência à programação

A aderência avalia quanto do cronograma originalmente estabelecido foi realmente cumprido.

Não basta concluir todas as ordens se a sequência planejada foi alterada diversas vezes.

Mudanças excessivas podem indicar que o cronograma inicial não estava considerando corretamente capacidade, materiais, prioridades ou condições reais da produção.

Uma aderência baixa também pode ocorrer quando urgências entram constantemente no planejamento.

Esse indicador ajuda a avaliar a estabilidade da programação e a identificar quanto a operação consegue seguir o cronograma definido.

Indicador O que acompanha Objetivo
Aderência ao plano Execução do programado Verificar cumprimento do cronograma
Atrasos OPs fora do prazo Identificar problemas de entrega
Utilização da capacidade Uso dos recursos Avaliar ocupação produtiva
Tempo de setup Preparações e trocas Identificar perdas entre produções
Tempo de produção Previsto versus realizado Avaliar precisão dos tempos planejados
Lead time Tempo total da OP Avaliar velocidade do processo
Paradas Interrupções produtivas Identificar gargalos e perdas

Os indicadores não devem ser analisados separadamente. Uma queda na aderência ao plano, por exemplo, pode estar relacionada a paradas frequentes, tempos de produção superiores ao previsto ou recursos trabalhando constantemente acima da capacidade.

Ao combinar essas informações, a Programação de Produção PCP passa a utilizar os resultados da produção como base para ajustar parâmetros, reorganizar recursos e construir cronogramas cada vez mais compatíveis com a capacidade real da indústria.

Conclusão

A Programação de Produção PCP é fundamental para transformar as necessidades da indústria em um cronograma organizado, viável e compatível com a capacidade produtiva disponível. Mais do que definir quais Ordens de Produção serão executadas, esse processo precisa considerar materiais, máquinas, equipes, tempos, prioridades e prazos.

Um cronograma eficiente começa pela qualidade das informações utilizadas. Pedidos, previsões de demanda, estoques, estruturas de produtos, roteiros de fabricação e tempos produtivos precisam estar atualizados para que as decisões tomadas pelo PCP representem a realidade da fábrica.

Também é necessário analisar a capacidade de máquinas e centros de trabalho antes de distribuir as ordens pelo calendário. Essa verificação ajuda a identificar sobrecargas, períodos ociosos e gargalos que podem comprometer o cumprimento dos prazos.

A disponibilidade dos materiais deve fazer parte da mesma análise. Reservar uma máquina para determinada produção não gera resultado quando os componentes necessários ainda não estão disponíveis. Por isso, estoque, reservas, compras, lead time dos fornecedores e necessidades calculadas pelo MRP precisam estar conectados ao cronograma.

O sequenciamento das Ordens de Produção também influencia diretamente o desempenho da operação. Datas de entrega, prioridades, tempos de processamento, setups e dependências entre etapas devem ser avaliados em conjunto para determinar uma sequência que permita utilizar melhor os recursos sem comprometer os compromissos assumidos.

Depois que a produção começa, o cronograma precisa continuar sendo acompanhado. Apontamentos de produção, status das ordens, tempos realizados, quantidades produzidas, rejeições e paradas mostram se aquilo que foi planejado está realmente acontecendo.

Esse acompanhamento permite comparar:

Planejado → Executado

Tempo previsto → Tempo realizado

Quantidade planejada → Quantidade produzida

Data programada → Data concluída

Quando surgem desvios, a programação pode ser revista antes que os impactos se espalhem para outras ordens. Quebras de máquinas, atrasos de materiais, problemas de qualidade e pedidos urgentes são situações que podem exigir reprogramação.

Indicadores como aderência ao plano, atrasos, utilização da capacidade, tempo de setup, lead time e paradas ajudam a transformar os dados da execução em informações para novos planejamentos.

Dessa forma, o processo completo pode ser representado por:

Demanda → Planejamento → Materiais → Capacidade → Ordens de Produção → Sequenciamento → Cronograma → Execução → Apontamentos → Controle → Reprogramação

Quando essas etapas trabalham de forma integrada, a Programação de Produção PCP deixa de ser apenas um calendário de tarefas e passa a funcionar como um processo contínuo de organização, acompanhamento e ajuste da produção. Isso permite que a indústria tenha maior clareza sobre o que produzir, quando produzir, quais recursos utilizar e quais ajustes serão necessários para manter as Ordens de Produção dentro dos prazos planejados.

 

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Perguntas frequentes

É o processo de organizar quando, onde e em qual sequência as Ordens de Produção serão executadas, considerando capacidade, materiais, recursos e prazos.

É necessário identificar a demanda, definir prazos, organizar as Ordens de Produção, calcular tempos, verificar materiais e capacidade e distribuir as operações no calendário.

A capacidade mostra quanto cada máquina ou recurso consegue produzir em determinado período, evitando programações acima do limite disponível.

O estoque determina se os materiais necessários estarão disponíveis para executar cada ordem na data prevista, evitando paradas por falta de insumos.

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